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  • CULTNE – I Encontro Nacional de Saúde da Mulher – Pt 1

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    Em 1984, a Enugbarijô com imagens de Ras Adauto e edição de Vik Birbeck registrou o 1º Encontro Nacional de Saúde da Mulher, um marco na área envolvendo mulheres negras, brancas e indígenas. O tema central girou em função da sáude onde as participantes discutiram várias questões como laqueadura, câncer mamário, câncer perino, planejamento familiar, aborto, etc, além da importância do movimento na vida das mulheres, as principais reivindicações, formas de luta, participação das mulheres enquanto militantes de um movimento social e a influência do Movimento feminista no Brasil na década de 1980.

    As mulheres presentes, feministas e trabalhadoras da saúde, definiam, no documento final do encontro, que ficou conhecido como Carta de Itapecirica:

    “O papel sexual e reprodutor imposto à mulher pela sociedade, que a exclui das decisões sobre o seu próprio corpo, faz com que tenhamos problemas específicos de saúde.

    Por isso exigimos um programa de saúde integral para a mulher envolvendo todos os seus ciclos biológicos: infância, adolescência, juventude, maturidade, menopausa e velhice concretizados na sua especificidade sexual (menstruação, contracepção, gravidez, parto, aleitamento, infertilidade, doenças venéreas, prevenção do câncer ginecológico e de mama, saúde mental e algumas doenças mais comuns), tudo isso integrado com a prevenção e tratamento das doenças relativas à sua inserção concreta no sistema produtivo, seja como trabalhadora e/ou dona de casa (Labra, 1989, p.299).”

    A especificidade sexual leva as mulheres a procurar uma prática médica que repõe o papel sexual e reprodutor que esta mesma prática e muitas outras a ela articuladas criaram. Ao mesmo tempo, ao estender a demanda por assistência, as mulheres reivindicam a extensão da medicalização, tanto em seu aspecto positivo de extensão de direitos de consumo de serviços e tecnologias eficazes como no sentido negativo de renúncia ao juízo privado, alvo das críticas das próprias mulheres aos serviços. Dilema inscrito no interior do próprio programa, o PAISM não pára de refletir sobre si próprio, transformando a prática médica e as mulheres e correndo os riscos inerentes à abertura de novos papéis sexuais, reprodutores e assistenciais.

    A partir de 1985 inicia-se a publicação de numeroso e variado material destinado a regulamentar e operacionalizar as ações propostas, agora com mais detalhes.

    Esse material é composto por dois grandes conjuntos de documentos: o primeiro consiste de diversas normas e manuais técnicos (assistência pré-natal de baixo e alto risco, ao parto, puerpério e recém-nascido, controle do câncer cérvico-uterino e mamas, planejamento familiar e doenças sexualmente transmissíveis), e o segundo em um extenso material educativo.

    No conjunto denominado “Normas e Manuais Técnicos” existe uma detalhada padronização de cada atividade, normatizando ações de orientação clínica e/ou epidemiológica. A dimensão educativa está presente aqui geralmente para lembrar da importância de algum exame ou consulta de rotina ou seguimento, ou para recomendar determinadas atitudes (aleitamento materno, por exemplo), ou ainda como lembrança da necessidade de explicar o que se faz, passar informações e escutar a mulher.

    Percebe-se aqui o cuidado de colocar conteúdos educativos a respeito do auto-cuidado e a inclusão, em todas as atividades, da busca de um maior vínculo e aderência das usuárias às diversas atividades oferecidas, muitas delas de detecção precoce e controle de riscos.

    Cada contato da mulher com o serviço de saúde deve servir para que ela seja lembrada de alguma outra eventual necessidade sua, ou de que ela deva retornar para o seguimento em alguma outra ação. A educação tem um papel fundamental nessa reiteração. Se essas ações continuam sendo cruciais para evitar mortes e adoecimentos para uma grande parte da população, especialmente quando dentro de uma racionalidade epidemiológica, suas repercussões em termos da reprodução das relações de gênero não podem ser desprezadas.

    Observando o conjunto do material a que tivemos acesso, percebemos a intencionalidade de articular os saberes e as ações clínicas (geral e ginecológica-obstétrica) e epidemiológicas, em conjunto com a dimensão educativa, e podemos perceber quão específico e transformador foi o modo pelo qual valeu-se o PAISM, sobretudo, da dimensão educativa. Esse modo, porém, não se esgota nas propostas educativas internas às normas e aos manuais técnicos. Os discursos registrados no PAISM são múltiplos e contraditórios, e a educação aqui não significa apenas prescrições normativas a respeito do correto uso dos serviços de saúde do correto uso e cuidado com o próprio corpo.(http://www.scielo.br)

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